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18.09.2021

Casas que contam a nossa história

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Casas que contam a nossa história

A Semana Farroupilha é um período muito especial para os gaúchos. Independentemente de você cultuar ou não a tradição, é impossível estar totalmente separado dela, pois em algum momento irá se deparar com situações em que estará emitindo alguma expressão regional característica do tipo "Tchê!" ou “Bah!”, ou ainda, saboreando um tradicional churrasco de domingo com sua família. É por meio da tradição que nos comunicamos, criamos um sentido de pertença a uma comunidade, compartilhamos valores e também muito conhecimento de geração para geração. Temos a ideia de que a tradição é algo homogêneo, que nunca muda, mas quando olhamos de perto não é bem assim. 

O Rio Grande do Sul em especial é um estado privilegiado no quesito diversidade. Aspectos da nossa arquitetura e da engenharia de nossas casas vêm de uma infinidade de povos distintos, entre eles indígenas, afro-brasileiros, alemães, italianos, poloneses, e muitos outros que contribuíram pouco a pouco para chegarmos até aqui. Hoje é dia de resgatarmos um pouco da história e relembrarmos a riqueza da contribuição de alguns deles para a nossa tradição.

Antes mesmo dos imigrantes chegarem, advindos de uma infinidade de países, os povos nativos já tinham projetos de casas específicas para enfrentarem o frio. Kaingangs, há mais de 2.500 anos, construíam casas subterrâneas para se defenderem das adversidades do tempo e dos fortes ventos da região. As casas eram construídas no formato cônico e circular, cobertas por palhas, contavam com cerca de 1 a 2 metros de profundidade e diâmetro entre 5 e 10 metros. Embora esse tipo de arquitetura tenha se perdido a partir da colonização, muito da cultura gaúcha outros hábitos e artefatos permanecem até hoje, entre eles o hábito alimentar do pinhão e do milho, assim como o chimarrão. 

 

A partir do contexto colonial, uma diversidade de etnias passaram a contribuir com a produção de novas formas de moradia. Um exemplo disso é a arquitetura colonial italiana. Em princípio as casas eram construídas de maneira rudimentar, visando dar condições de subsistência num contexto de muita dificuldade, no entanto, com o tempo essas construções foram ganhando em riqueza, imponência e durabilidade. Essas construções eram feitas a partir de diferentes materiais como pedra, madeira e tijolo. 

As técnicas com pedra já eram tradicionais nas regiões montanhosas da Itália. A madeira, no entanto, passou a ser a mais popular, inicialmente usada de forma rudimentar, mas aos poucos sendo investidas de técnicas de serralheria que possibilitaram um maior equilíbrio para as casas assim como a possibilidade de planejamento das construções. Já as casas de tijolo passaram a ser as mais utilizadas após a industrialização, sendo muitas vezes rebocadas por dentro e por fora com massa de barro e cal. 
 

Já as casas alemãs no estilo enxaimel, influenciaram não só o Rio Grande do Sul, mas outras regiões do Brasil de maneira geral. O estilo e a técnica são muito antigos, essas casas passam a ser reconhecidas a partir do momento que deixa-se, ainda na Europa, de se utilizar estacas no chão e passa-se a usar fundamentos de pedra ou alvenaria. Esse tipo de casa passou por uma série de modificações e ainda é construída, ou serve de base para outras arquiteturas. Esse tipo de casa demanda uma grande precisão, somente carpinteiros com muita técnica são capazes de construí-las.
 

Com a correria do dia a dia temos pouco tempo para pensar em todas essas características, que no fim das contas, nos unem e nos tornam um povo único. O dia 20 de setembro, mais do que para comemorar, serve para refletirmos e preservarmos tudo o que a tradição tem a nos oferecer de bom. Fica aqui um viva ao Rio Grande do Sul e a diversidade de sua tradição.
 

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